segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
domingo, 29 de janeiro de 2012
COLETÂNEA ( 9 )
COLETÂNEA (9)
ELLa não sabia se deveria calar-se ou se deveria trazer a tona todos os males ocultados durante os últimos tempos. O incômodo era muito grande. A perspectiva de ser avaliada como louca a deixava pouco a vontade. Mas até que ponto qualquer crítica poderia trazer um desconforto maior do que aquele que já sentia?
Era intolerável ouvir os gritos, palavrões, o corre-corre atropelado daqueles três meninos totalmente à vontade com seus hábitos curtidos em desmandos. Para ELLA, neste caso, o seu silêncio era o pecado da omissão, da irresponsabilidade social.
Sabia que todos têm o direito de ir e vir, mas só não entendia o fato de ser ameaçada a parar nos tribunais, porque exigia que, num condomínio, sem área de lazer, as pessoas, todas elas, adultos e crianças se portassem como seres educados e trafegassem pelos corredores e escadarias de modo minimamente civilizado.
Omissão neste caso, para ELLA, era o sinônimo da banalização dos bons modos e costumes, e a este respeito tinha sua teoria. Os noticiários eram fartos de relatos em que o desrespeito de menores tem levado inúmeras pessoas à condição de vítimas fatais. Pais indignados sofrendo dores atrozes pela perda de seus filhos porque uma criança resolveu exterminar seus coleguinhas.
Até que ponto a responsabilidade por estas atrocidades não recai sobre os partícipes de uma sociedade doente que prefere jogar para debaixo do tapete seus incômodos a fazer valer seus direitos? Até que ponto, ao decidir comprar um tapa - ouvidos ao contrário de agir, ELLA não seria o exemplo que arrastava e estimulava os desvios de comportamentos saudáveis?
ELLA, não era mulher de escamoteação. Há muito aprendera a necessidade de ser objetiva, de ter atitudes e não seria agora, após tantos anos de elaboração do seu caráter pessoal e social que iria se deixar abater.
Era preciso documentar as queixas para dar validade ao seu depoimento. Não teve dúvidas, finalmente iria usar seu novo celular que reunia em si várias funções, entre elas tirar fotos de altíssima qualidade e filmar com precisão. Era só aguardar o momento em que o vulcão entrasse em erupção.
Embora ELLA já tivesse refletido muito e chegado a conclusão que fazia o que tinha que ser feito, ainda sentia certo desconforto, uma sensação de “ vou mexer no vespeiro” ,” vou sair dolorosamente picada “ ,“ Vou expor feridas alheias” e “ serei odiada para sempre”.
Seus temores e conflitos permaneceram, mas uma força interior, paradoxalmente, a impulsionava adiante. ..
Absorta em suas reflexões, foi abruptamente desperta com gritos e tropel. Aguardou uns instantes na tentativa de dar uma chance para que desistissem. Mas em vão!
A força da convicção atropelou seus receios e uma gigantesca energia a colocou em ação. Pegou seu telefone, desceu as escadas e foi direto ao alvo. Fotografou a sala de festa despertando objetos que ali estavam alojados de forma inoportuna depreciando a estética do ambiente que era o cartão de visitas do edifício. Uma sala cuja denominação já encerrava sua funcionalidade. Salão de festas. Jamais poderia ser considerada uma sala de depósito, nem mesmo que fosse momentâneo. O que não era o caso.
Acionou o dispositivo da câmera para vídeo e começou a filmar o corre- corre insano daquelas crianças, que ao vê-la não se intimidaram, ao contrário, o faziam de forma mais ostensiva. Mas de repente parecem ter notado a câmera em suas mãos. Um deles, o líder das brincadeiras inconvenientes, desgarrou-se da turma e dizendo estar com sede dirigiu-se para o elevador.
ELLA sabia que ele iria buscar um adulto conivente com seus atos para que viesse tomar sua defesa.
Era uma ameaça. Chegara o momento de separar a intenção da atitude. ELLA ,ao contrário de abalar-se, foi tomada por um sentimento de coragem alicerçada pela verdade; dupla que é capaz de sustentar o mundo.
Continuou filmando a bola, dois meninos filhos de inquilino e um primo que se hospedava na casa do líder. Eles não se intimidaram, talvez porque já aguardavam ajuda.
Neste momento a porta do elevador abriu-se. Dele saiu uma senhora, avó do líder, já questionando: O que foi agora, é proibido as crianças brincarem na recepção?
A outra senhora, a síndica, amiga da mulher mais velha disse” o que está acontecendo aqui?” Como se não tivesse sido alertada por ELLA a respeito daqueles fatos.
A cena era, no mínimo, ridícula. Gralhas afetadas em seus egos querendo fazer valer a força da autoridade. Mas não havia autoridade que desse àquela situação a ordem necessária.
O Fato provocava o esgarçar da consciência e a lembrança que, em outros tempos, quando o respeito era vigente, crianças não desafiavam o mundo adulto, pois estavam mais preocupadas em fazer comidinha na panelinha de brinquedo, ou entretidas no jogo bola de gude.
O passado passou e com ele levou a prudência, os bons modos, o respeito mútuo, o linguajar amistoso, a obediência às regras estabelecidas, a conversa esclarecedora e a vontade agregadora.
O passado levou consigo também as brincadeiras educativas sempre orientadas ou assistidas por um responsável adulto. Levou a segurança das ruas que permitia uma saudável disputa de bola Levou a paz dos corações!
ELLA refletia, filosofava, cismava, e seu coração se confundia. Ainda ouve o tropel. Ainda ouve a bola batendo nas paredes e nos carros ,ainda ouve os gritos que não refletem uma incontida emoção de brincadeira, mas sim um uivo que pede limites , e que clama por atenção.
ELZA MARIA
domingo, 8 de janeiro de 2012
COLETÂNEA ( 8 )
Ela se sentia num ambiente hostil. Estranho! Não era a primeira vez que se encontrava ali e sempre se sentira bem acolhida, mas algo havia definitivamente mudado. Seria Ela? Ou seriam as pessoas a sua volta?
Do estranhamento à constatação não demorou muito. As pessoas estavam diferentes, agitadas, irritadas, até mesmo grosseiras.
Para Ela, a priori, o importante era dar um tempo para que os outros se adaptassem a sua presença e sentissem que Ela estava em missão de paz. Mas “o inferno não era os outros”. Todos exerciam seus papéis convictos de suas realidades, somente ELA se encontrava desconfortável, como se vestisse uma roupa de número bem menor. Não identificava bem os sentimentos que a perturbavam.
A cada evento se evidenciava a aspereza no trato. Mesmo mudando o cenário, acrescentando mais figurantes, o comportamento daquelas pessoas continuava deixando transparecer seu incômodo. Nas conversações sempre havia um comentário irônico que falava por si só.
Estava difícil manter-se neutra, como se nada estivesse acontecendo. Seus sentimentos começaram a criar forma e a necessidade de nomeá-los era iminente e ao nomeá-los uma força tomou conta de seu ser. Um missionário com intenção pacífica é um perigo quando decide deflagrar a bandeira da ira.
Mas...a ira? Em nome do que? Desgastar os bons sentimentos formatados a peso de ouro em troca da má elaboração interior dos outros? “O inferno não é os outros” lembram-se?
Encontrar e enfrentar os próprios demônios era o desafio da consagração! Mesmo que fosse preciso retroceder e buscar a âncora, que deveria ser um lugar já sedimentado no campo mental, Ela o faria.
Desprezo mesclado ao apego, amor confundido com o ódio, a dor da perda, todos os sentimentos estavam em erupção. Era preciso bater em retirada antes que a lava invadisse e contaminasse os imaculados, porque havia neste meio os pobres de espírito, anjos que dormiam em paz.
Desafogados do desconforto que Ela causava, os outros voltaram a normalidade, ficaram amáveis repentinamente. Era como se o alívio de sua ida os trouxessem ao domínio de suas realidades. Que cada um cuidasse de seu inferno e curasse suas feridas, era a ordem do momento.
Hoje, no silêncio de seu santuário, Ela encontrou sua âncora. As duas sussurram, dialogam, trocam idéias harmoniosamente e concluem: O Inferno , assim como o Céu, está em cada um. A maturidade dará prevalência a um em detrimento ao outro. E que opte pela estratégica retirada aquele que tiver ao menos uma âncora que saiba atracar no paraíso. ELZA MARIA
sábado, 7 de janeiro de 2012
COLETÂNEA 7
Eu creio que é chegada a minha hora de falar sobre o ano que está prestes a acabar.
2011 foi o ano do renascimento literalmente !
Fisicamente nasci novamente, foi me consentido um milagre. Deste milagre recuperei minha FÉ. Desta FÉ abri um largo espaço p ara fazer presente muitos AMIGOS. Com estes AMIGOS aprendi que tudo é possível, principalmente SORRIR.
Ao SORRIR senti soltar as amarras dos pés ...e quadril e aprendi a dançar. Ao dançar aprendi a sentir a melodia que é capaz de me levar a catarse. E da catarse tornar possível a leveza. E é a LEVEZA que guiará meus passos no ano que se aproxima , 2012.
Aos amigos, todos os AMIGOS, eu desejo que o proximo ano seja o retorno de todo o benefício que me concederam enquanto me conduziram pelo caminho da reconquista e da pessoa melhor em que me tornei.
Um ande abraço saudoso. ELZA MARIA
2011 foi o ano do renascimento literalmente !
Fisicamente nasci novamente, foi me consentido um milagre. Deste milagre recuperei minha FÉ. Desta FÉ abri um largo espaço p ara fazer presente muitos AMIGOS. Com estes AMIGOS aprendi que tudo é possível, principalmente SORRIR.
Ao SORRIR senti soltar as amarras dos pés ...e quadril e aprendi a dançar. Ao dançar aprendi a sentir a melodia que é capaz de me levar a catarse. E da catarse tornar possível a leveza. E é a LEVEZA que guiará meus passos no ano que se aproxima , 2012.
Aos amigos, todos os AMIGOS, eu desejo que o proximo ano seja o retorno de todo o benefício que me concederam enquanto me conduziram pelo caminho da reconquista e da pessoa melhor em que me tornei.
Um ande abraço saudoso. ELZA MARIA
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