REFLEXÕES
Entendemos tão pouco acerca do outro! Mas a consciência deste
fato não nos impede de analisar, criticar, condenar...
O outro é o outro. Está fora de nós. Tem seus próprios
caminhos e suas mais recônditas inquietações, sobre as quais elucubramos, e
queremos de toda maneira forjar uma maneira de ser que corresponda as nossas expectativas.
Triste! Mas é o que a maioria de nós processa.
É libertador ter consciência que não dominamos sequer nossos
conflitos, que dirá os alheios. Assim, vamos começar agora o processo de
desapego do outro, deixar que ele siga sua trajetória em paz, e seja o soberano
construtor de sua alegria sem ter que esbarrar na nossa incômoda energia
controladora.
Ninguém deve nada a ninguém! Ninguém será condenado por atitudes
que assumem como ser o seu melhor ato do momento. E nós queremos que o outro
sofra as penas do inferno!
Baseado em que
julgamento nos sentimos assim? Na cartilha do certo e errado que aprendemos
vida afora? Nos preceitos da nossa compreensão religiosa? Na moral que hoje
obedece a um critério, mas que perde a validade com o passar do tempo? Pois é...
Tudo muda! A vida tem seu movimento próprio, a sociedade e seus preceitos
sofrem alterações a cada instante de um novo modelo proposto. Ficar parado esperando
que o paradigma não se altere, é ingenuidade. Ingenuidade sua, minha, nossa!
Temos um “mundinho próprio” a zelar.
Este “mundinho”, sim, corre por nossa conta e risco. Nele
somos o senhor e o vassalo, o pecador e o anjo e as contas que temos que pagar
correm por conta da folha de pagamento chamada “crescimento”. Dói? Claro que dói! Crescer dói! Por quê?
Porque gostamos de ficar na zona de conforto. Não queremos
que nada, nem ninguém mexam no nosso castelo de areia. Mas, lembremos, castelo
de areia qualquer brisa desmancha. Nem tenhamos a ilusão que conseguiremos
construir uma fortaleza. Não há solo nem pedras que resistam à ação do tempo.
Verdades absolutas, nem relativas existem. Existe o homem e
seu movimento em direção ao seu melhor naquele exato momento.