As palavras são comprometedoras. Esta é uma informação inequívoca.
Não nutrimos sentimento de amizade por todas as pessoas que conhecemos. É um fato! Então quem são nossos amigos?
Serão nossos amigos aqueles com os quais temos afinidade consangüínea? É uma probabilidade, mas não uma regra. Às vezes, o seio familiar é o maior reduto de antagonismos e antipatias expressos de forma agressiva, sem nenhuma intenção construtiva.
No ambiente de trabalho temos “colegas”. Pessoas que se vêem todos os dias, executam suas tarefas, padecem das mesmas dificuldades, mas não há cumplicidade. Salvo raríssimas exceções.
Temos nossos vizinhos que compartilham conosco os problemas rotineiros Até sabem de nossas dificuldades na vida, ajudam num momento de necessidade, mas daí a dizermos que são “amigos “vai uma grande diferença. Mesmo porque a qualquer divergência se voltam contra nós e são capazes de fazerem um abaixo assinado deixando claro que nos tornamos persona non grata. Tolerância Zero!
Há os conhecidos do clube que freqüentamos, onde se misturam os colegas, parentes e vizinhos. Será que há alguma chance de criarmos vínculos de amizade? Com certeza conseguiremos pares brilhantes para jogarmos tênis, para a turma do churrasco nos feriados prolongados, até é possível que escolhamos um casal deles para serem padrinhos de nossos filhos, mas vínculo de amizade é difícil, pois ninguém segura a competição que ocorre comumente nestas relações.
Desde a infância, com certeza, convivemos com pessoas que marcaram significativamente nossas vidas, das quais lembraremos vez ou outra de forma carinhosa, mas ainda assim faltam mais quesitos para considerá-las amigas.
Amigos! É preciso usar esta palavra com critério para não correr o risco de sermos levianos na explicação.
Trata-se de uma pessoa especialíssima que entra em nossas vidas de forma indelével. A característica mais marcante do amigo é o respeito. Pode discordar de nossa ideologia, de nosso comportamento, não deixa de demonstrar seu posicionamento, de esclarecer sua discordância, mas o faz no momento oportuno, com respeito sem deixar marcas de constrangimento.
Não é dado a sermões. Não é invasivo. Não usa das informações que tem a nosso respeito para promover discórdias. Nem usa nosso santo nome em vão.
Não nos oprime, fazendo valer-se da amizade para nos convencer a fazer algo a que nos negamos. E nem por isso deixa de nos tratar com a leveza de sempre. Não sente ciúmes de outras pessoas que por ventura esteja nos cortejando para uma relação amistosa.
Sabe dar espaço quando sente que necessitamos e aguarda uma sinalização para retomar o contato. Não necessariamente está em todos os lugares que estejamos, nem telefona para saber onde estivemos e o que estávamos fazendo. Sua presença é sutil, não nos sufoca.
A relação de amizade exige confiança e desprendimento, não importa há quanto tempo estejamos distantes, quando nos reencontramos continuamos nossa conversa exatamente no ponto em que paramos O mais marcante nesta relação é a alegria,o riso solto, regado a uma autenticidade impar.
Não se contabiliza amigos, pois quantidade não é garantia de qualidade, também não existe fórmula para se fazer amigo e nem para sermos aceitos como tal. Na verdade trata-se de um encontro mágico. De repente ali está uma pessoa de convívio delicioso, confiável, respeitosa, autêntica livre, inteligente, tolerante, agradável, enriquecendo nossas horas.
O maior número de pessoas passa a vida com uma relação imensa de queridos conhecidos, jamais tiveram um amigo, e vivem muito bem, obrigada. Portanto há vida independente ou não de termos amigos. Mas se um vento benfazejo nos agraciar com a presença de um ser especial, com certeza, nossos dias terão um colorido diferente.