terça-feira, 26 de junho de 2012

PRA LÁ BEM PRA LÁ

Nada como algum tempo emergindo devagarinho, para ver se há luz pra lá do fim do túnel. Há! Mas é uma festa estranha com gente diferente! É um tal de faz de conta para se chegar a um lugar não se sabe bem onde. Um teatro com script sem continuidade, em que as falas de um não deixam a deixa para o próximo. Assim todos saem com um ar de satisfação insatisfeita, aplaudindo de pé o espetáculo sem pé nem cabeça. Uma saia justa, um desconforto proposital, que se torna mais desconfortável impossível. No entanto paira no ar uma conformidade que parece cultural, mas, se o é, trata-se de uma herança falida, em que a pose vale mais que o ouro ainda na jazida garimpada pelo mineiro inábil, que negocia todos os dias os alqueires da melhor terra, sempre prometendo o martelo final para a semana que vem. Para ficar em evidência a moeda de troca é o favor, quase sempre unilateral, depois que se conseguiu o que queria, não há nenhum constrangimento em não devolver a gentileza. Caso se necessite de outra ajuda, procura-se outra fonte, simples assim. Não há espaço para a gentileza, apenas uma intolerância suportada a ferro fórceps, e a ironia é a vingança disfarçada. Não há sexo frágil, a questão gênero é uma miscelânea em que um tenta sobreviver da imagem do outro, trocando os papéis conforme a necessidade premente. É uma batalha de Titãs. Salve-se quem puder!